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Um pouco de história...
As populações que vivem na Zona Costeira brasileira – próximo a restingas, manguezais e ambientes marinhos – vêm sofrendo com os impactos negativos causados pela expansão de projetos econômicos que não respeitam a importância dos ecossistemas marinho-costeiros para a integridade de seus modos de vida. Os grupos extrativistas vêm sofrendo nas últimas décadas com a expansão de atividades altamente impactantes dos pontos de vista social e ambiental. São elas: a carcinicultura, a monocultura do eucalipto, o turismo predatório, a especulação imobiliária, a pesca predatória, a poluição química e industrial, a construção de portos e barragens, atividades que vem gerando – de norte a sul do Brasil - a perda dos territórios tradicionais dos povos do mar, a limitação dos acessos às áreas de pesca e mariscagem e a diminuição drástica dos próprios recursos naturais de uso comum.
Em resposta a todo esse contexto, a partir de 2001, movimentos de pescadores/as, ONGs e pesquisadores/as começaram a trabalhar em rede em defesa dos povos do mar e dos ambientes marinhos, manguezais e restingas da costa brasileira. Iniciava-se nesse momento uma articulação que no futuro se chamaria Rede Mangue Mar Brasil. A luta contra a carcinicultura na Bahia e no Ceará são exemplos bem sucedidos dos potenciais transformadores da ação em rede. Pescadores e marisqueiras que participaram do seminário “Nas Mãos dos Pescadores” em 2003 no Ceará, onde obtiveram conhecimentos mais profundos sobre a criação de camarão em cativeiro, voltaram para as comunidades e transmitiram o que aprenderam com a RedManglar Internacional – articulação internacional em defesa dos manguezais e populações tradicionais. Em 2004, o apoio da RedManglar foi fundamental para fortalecer a resistência das comunidades que sofreram violações aos direitos humanos pela carcinicultura. Essas comunidades se articularam no Ceará em torno da Rede Realce (Rede de Educação Ambiental do Litoral Cearense), em defesa dos manguezais e contra as atividades agroindustriais. A partir da Realce, em novembro de 2005, moradores/as das comunidades atingidas participaram das atividades de mobilização em torno da Audiência Publica do maior empreendimento de carcinicultura do Brasil, previsto para Caravelas, na Bahia. Curral Velho (Acaraú, CE), Cumbe (Aracati, CE) e os índios Tremembé aí estiveram para participar e denunciar os impactos negativos da carcinicultura sobre suas comunidades. Esta Rede gerou um fortalecimento que mudou o rumo dos eventos e impediu a instalação deste grande empreendimento nos manguezais de Caravelas e Nova Viçosa, hoje em vias de se tornar a Resex Cassurubá.
A discussão sobre a importância da criação de uma Rede Nacional unindo os povos do mar, entidades da sociedade civil e pesquisadores/as de universidades foi amadurecida em 2006, em reuniões que se realizaram em agosto e novembro, respectivamente, no Seminário “Manguezal e Vida Comunitária: os impactos socioambientais da carcinicultura” em Fortaleza e no encontro Nacional de Gerenciamento Costeiro (ENCOGERCO), em Florianópolis.
Mas somente em 2008 foi realizado o I Encontro da Rede MangueMar Brasil no distrito de Acupe,
Em 2009, durante os dias 03 e 06 de março de 2009, representações de 10 estados costeiros do Brasil se reencontraram na cidade de São Luís - MA para a realização do II Encontro da Rede MangueMar Brasil, nesta oportunidade os participantes refletiram e aprofundaram o debate sobre articulação em rede, bem como, avaliar e planejar a ação e gestão da rede para os próximos anos.